quarta-feira, 25 de maio de 2011

Poema de um Separador

Uma barreira
Entre mim e a felicidade.
Um sinal de stop
Na estrada para a eternidade.
Uma cerca
Que me distanciava da alegria.
Uma venda
Que me cegava de toda a magia.

Tu foste um separador,
Que separava duas páginas.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Campos do Amor


Sentia-me perdido, confesso. Depois de tanto beco sem saída por onde deambulei, pensei que a chance de descobrir novamente um trilho que pudesse levar-me aos Campos do Amor era nula. Haviam somente sombras de felicidade no meu passeio. E como elas me atormentavam. Mesmo sendo somente espectros de felicidade, seduziam-me e faziam-me querer capturá-las, possuí-las! Contudo, sempre que essa ganância se apoderava de mim, elas desfaziam-se contra o meu toque.

Houve dias, talvez fossem noites, em que eu limitava-me a cantar para os vales que protegiam os Campos. Dali, a minha voz ecoava e podia enganar-me, fingindo cegamente que aquela era a voz do Amor que me chamava. Podia fechar os olhos e sentir as vibrações da minha voz alterada e imaginar futuros inimagináveis! Mas não era nada mais que uma auto-mutilação, aquela forma torpe de obter conforto.

Hoje, enquanto sacudia a roupa suja e me erguia para enfrentar mais uma torrente tortuosa de caminhos esguios e confusos surgiu uma sombra. Ao menos, foi assim que a interpretei, até poder observar que era mais que isso. Era um vulto negro. Chegou junto a mim, passou-me uma mão pelo rosto com um carinho tal que me arrepiei. Há imenso tempo que não recebia um gesto daqueles. Seguidamente, pegou na minha mão e arrastou-me atrás de si.

Corremos, corremos, corremos. Pareceu tanto e soube-me a tão pouco. Cada passo que dava conseguia cheirá-lo. Conseguia senti-lo a acariciar a minha pele. Estava a ir na direcção dos Campos do Amor. Sentia-me entusiasmado e ultrapassei o vulto negro que me guiava. Subitamente, paramos num cruzamento. Ele encarou-me, com aquela cara de sombra consistente e disse-me:

- Agora, escolhes tu o caminho. Segue os teus instintos. Seja qual for aquele por que optes, o teu destino não mudará.

E dito isto, partiu. Dissolveu-se como se fosse somente mais uma das sombras a que estava habituado. Mas eu sabia que era muito mais que aquilo. Era o meu futuro. Aquele que me aguardava nos Campos do Amor. Sei que agora está nas minhas mãos e estou pronto para escolher o meu caminho!