quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Miragem

Gostei mais daquele outro tempo...
Lembrei-me de quando tudo era como queria. De como era tão fácil fechar os olhos e imaginar tudo aquilo que eu queria ver. Apagar todas as imperfeições daquele universo que construí para alimentar os sonhos de uma criança que teimava em ser feliz.
Lembro-me de como tinha ideia de que me estava a enganar. De como tudo parecia desmoronar-se de todas as vezes que um detalhe me escapava. De como tudo me parecia ser uma ténue miragem que se dissolvia sempre que tentava agarrar-me a algo sólido da ilusão que criava.
Hoje em dia, vejo com olhos de ver, que estava redondamente enganado. Aquilo que eu julguei criar, afinal existia. A felicidade esteve sempre lá, sempre guardada para mim. Eu é que parecia não compreender o sentimento que me estava reservado, mas agora percebo-o...

E no entanto, hoje queria poder fazer o inverso daquilo que fazia quando aquela criança que morreu em mim residia. Queria ter o poder de desintegrar a solidez persistente de elementos da minha actual personalidade. Fazer desaparecer, ao toque, as imagens que eu não quero ter que recordar todos os dias. Eliminar o perfume que me atormenta sem sentir qualquer remorso porque, ele simplesmente não existiria.

Resumindo, ambiciono o poder de tornar ilusão todo o real que quero que não exista, sem me iludir com realidade do irreal. Por favor, torna-te miragem e desaparece ao meu toque.

sábado, 27 de novembro de 2010

Futuro!

Peguei no álbum que descansava no armário empoeirado. Pousei-o cuidadosamente no meu colo e desafiei-me a abri-lo. Com ele pude relembrar-me do passado. Com ele pude voltar a ler as linhas outrora escritas nas páginas da minha vida. Com ele pude recordar as alegrias, as tristezas, as festas, as saídas e tudo o mais.
Fiquei embrenhado nas recordações que ele me trouxera. Mas depois lembrei-me que não passavam disso: recordações. Lembrei-me que o importante é o futuro. Que o que está feito não pode ser mudado, no máximo, pode ser corrigido. Que as páginas que permanecem em branco precisam de ser preenchidas com muita mais urgência do que as escritas precisam de ser relidas.
Levantei-me. E ao levantar-me, deixei repousar, juntamente com o álbum, todas as memórias. Não as esqueci. Deixei-as guardadas para serem recordadas numa outra tarde chuvosa. E fui pensando no que escreveria nas páginas seguintes...