domingo, 21 de agosto de 2011

Quando Sopra a Brisa Norte



Ela sopra, novamente. Há outra vez a sua fragrância em meu redor, aquela que eu nunca consigo desmembrar e reconhecer os componentes. Será sempre aquele incógnita conhecida, a minha brisa norte.
Certamente que se inquirisse todos os que me rodeiam sobre o odor trazido por esse vento ligeiro, descreveriam-me todos os ingredientes da felicidade: sol, terra, chuva, sorrisos e risos. Contudo, a mim, cheira-me a tristeza e a saudade, cheira-me a ti.
Então fujo. Abrigo-me no meio das árvores que, no centro do nada em que me encontro, são o meu único socorro. Debaixo das suas copas, cheira-me menos a ti. Há menos brisa norte.

sábado, 13 de agosto de 2011

Ciclo


Sente-me, não me deixes morrer outra vez. Mil vezes foram dolorosas o suficiente, ao ponto de me sentir desmembrado de cada vez que respiro. Cada vez que conspiras contra mim, é como se me atirasses do topo de um arranha-céus. E acredita em mim, todas as quedas doem tanto como a primeira.
Pediste-me silêncio. Eu dei-te. Contudo, parece que não foi suficiente. Não te chegou sorrires em todos os meus funerais. Queres algo mais e eu não sei o quê. Já me tiraste tudo.
No entanto, recusas-te a deixar-me repousar. De todas as vezes que me ergo do meu caixão para respirar de novo, fazes o impossível para me roubar o ar. E sei que viveremos neste ciclo para a eternidade. Pelo menos, até à eternidade de um de nós findar.