quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Amar não é pecado

      
         Um suspiro. Um aperto. Uma saudade.
         Sinto a tua falta.

        Porque partiste quando eu mais precisei de ti? Porque deixaste uma vaga impossível de preencher no meu coração? Para que eu aprendesse o lado negro do amor? Amor, já o sei de cor. Sei-o desde o primeiro segundo da tua ausência. Sei que me consume, que me deixa de rastos, sem qualquer vontade de forçar o ar a entrar nos meus pulmões.

         Juro-te que por vezes preferia desistir. Simplesmente parar de arrastar o meu corpo por entre as sombras das memórias que me assombram. Os teus sorrisos, naquele banco junto ao nosso jardim. A doce melodia da tua voz, chamando o meu nome, quando me ligavas à noite, antes de adormecer. O teu aroma encantador que pairava em volta de mim e me deixava completamente hipnotizado.

         Volta. Não me deixes aqui, sem ti. Porque sem ti sou solidão. Eu não errarei mais no nosso percurso e farei com que apenas de felicidade seja construído o nosso trilho. A nossa banda sonora serão gargalhadas e juras de amor trocadas entre nós. Prometo-te. Não me castigues com a tua ausência como se tivesse cometido um crime porque afinal amar não é pecado.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Enlaçados


Ergo a cabeça do teu ombro e sorvo o ar por entre os dentes. O meu corpo arrepia-se com o conforto que o oxigénio trás, pois cada gole é uma necessidade da qual eu estou quase privado. Tudo porque estes laços me apertam o peito.

São extenuantes estes laços que me cobrem o corpo e que me enlaçam em todo o mundo. Alguns, de cor verde, são firmes e apenas me restringem suavemente os movimentos. Outros, de cor azul, são folgados e apenas se sentem pelo peso que me faz vergar. Os piores, de cor vermelha, espremem-me o corpo, retirando qualquer energia que me reste.

Contudo, insuportável é este laço que me une a ti. A sua cor é variável e a sua extensão indeterminável. Apenas sei que as suas duas pontas unem-se num intricado nó, no meu coração. E nada posso fazer, dominado pela vontade desta grilheta, que me comanda.

E eu tanto queria ter a opção de me libertar desta maldição que carrego. Poder estender os meus dedos e puxar por uma das pontas do nó. Observar enquanto a tira se solta e ondula até ao chão. Esse seria o sabor da liberdade.

Um dia, num devaneio, removerei o meu coração e desapertarei o nó que o envolve e o conecta a ti. Aquando da tua partida. Essa será a data da minha condenação e libertação. Até lá, vivo com o nosso laço.