quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Utopia de um Amor



Fecha os olhos.

     Quando o dia findava, depois de todas as tormentas passadas, era em ti que eu tinha o meu abrigo. Era no acolher do teu abraço que eu procurava o meu conforto. Era no resplandecer dos teus olhos que eu procurava a minha luz. Basicamente, era no teu sorriso que estava escondida a minha felicidade.
     A nossa rotina era basicamente a mesma com o decorrer dos dias. Como tolos felizes, dávamos as mãos e caminhávamos, como quem saltita, partilhando todos os bocadinhos do nosso dia. Soltávamos, de vez em quando, gargalhadas borbulhantes, que preenchiam o espaço e nos deixavam como que num mundo à parte do mundo.
     Depois, quando o sol se escondia por detrás do horizonte, e a lua aparecia acompanhada de um manto negro salpicado de estrelas, nós íamos para o nosso cantinho. Lá, ninguém nos importunava e podíamos trocar os toques e os beijos que contínhamos durante o passeio. Ali, os nossos corpos comunicavam sem qualquer interrupção, compreendendo na totalidade a mensagem que o outro queria transmitir.
    
     E ainda assim, tudo não passava de um sonho.

     Na verdade, era tudo uma mera frágil ilusão. Eu idealizava tudo isto e reflectia-o em ti. Pensava que eras a minha outra metade, contudo nem eras parte de mim. Vivi por tempos numa estúpida utopia de um amor.